Eu não existo sem você…

12 06 2008

(Photo by Tiago Capute)

O teu amor me ajuda: és uma flor fechada que me enche cada vez com seu aroma e que súbita se abre dentro de mim como uma grande estrela. Amor meu, é de noite. Essa água negra, o mundo dormindo, me rodeiam. Já está chegando a aurora, enquanto vem, te escrevo para dizer que te amo. Para dizer: “te amo”, cuida, limpa, levanta, defende nosso amor, alma minha. Aqui te deixo como se deixasse um punhado de terra com sementes. Do nosso amor nascerão vidas.
Em nosso amor beberão água. Talvez chegará um dia em que um homem e uma mulher, iguais a nós dois, tocarão este amor, que ainda terá força para queimar as mãos que o toquem. Quem fomos? O que
importa? Tocarão este fogo e o fogo, doce minha, dirá teu simples nome e o meu, o nome que só tu soubeste porque só tu sobre a terra sabes quem sou, e porque ninguém me conheceu como uma, como só uma de tuas mãos, porque ninguém soube como, nem quando meu coração esteve ardendo: tão só teus olhos grandes pardos o souberam, tua vasta boca, tua pele, teus peitos, teu ventre, tuas entranhas e essa alma que eu despertei só para que ficasse cantando até o fim da vida. Amor, te espero.
Adeus, amor, te espero.

Pablo Neruda -Versos do Capitão