‘Horrível aquilo no Sudão, não é?’

16 06 2008

Darfur

Recebo um texto de um amigo (brasileiro) recém-chegado ao Sudão a trabalho. Assim ele descreve suas primeiras impressões : “A pobreza domina a paisagem, as emoções, o olfato. Juba comemora a segunda estrada asfaltada; a poeira fina e o pó ocre se entrenham nas roupas, nos carros, nos rostos e nos computadores. O almoço é comido por todos com as mãos, lavadas com a água poluída do Rio Nilo Branco. Os celulares de uma operadora não ligam para o de outra; muitos aqui possuem mais de um aparelho, apesar dos poucos recursos. As moscas estão presentes em todos os lugares durante o dia, cedendo o espaço aéreo aos mosquitos com o cair do sol.”

Para quem não sabe, de 2003 para cá, a etnia que domina o governo sudanês matou por volta de 200.000 pessoas de um outro grupo. É uma as maiores tragédias da atualidade.A China, que detém a presidência de turno do Conselho de Segurança na ONU, pressionou o secretário-geral da ONU em sua tentativa de enviar a missão que recebeu a sigla Unamid.

[Nota:mais de 60% do petróleo sudanês é comprado pela China, a grande responsável pela aprovação da Unamid, uma missão híbrida (militar e civil), a contar com o empenho de 26 mil homens.
A questão do petróleo falou mais alto, numa China em que a pena de morte aplicada pela Justiça está banalizada e são permanentes as violações aos direitos humanos.]

Pedro Doria, em seu blog, cutuca: “No entanto, já faz cinco anos, o que se passa é uma certa reação blasé. ‘Horrível aquilo no Sudão, não é?’ E daí para outro assunto…”

“…Por que a esquerda não se esgoela e põe o Sudão no topo de sua lista de prioridades? Cruze os blogs ou revistas de esquerda no mundo e os assuntos são vários, as vítimas do imperialismo muitas, mas para as três milhões de vítimas do governo sudanês não sobra muita compaixão…”

Fora os genocídios, as organizações humanitárias internacionais estimam em 2,5 milhões a quantidade de foragidos dos janjawid. Milhares de crianças sudanesas, foragidas e feridas, refugiaram-se na fronteira com o vizinho Chade, onde recebem alimentos e remédios.

Helena Beatriz Pacitti