Last Lecture

19 07 2008

(fonte: Carnegie Mellon University -  http: //www.cmu.edu/randyslecture/)

 ”Late in the summer of 2006, I started having some unusual symptoms, culminating with jaudice. Scans revealed it was pancreatic cancer. At this time, my wife Jai and I had a 4 year old, a 2 year old, and a three month old baby…”

Assim começa o “resumo da aventura” de Randy Pausch, em suas próprias palavras, sobre o acontecimento que mudou sua vida e a de sua esposa e filhos, assim como  a vida de milhares de pessoas.

Quer saber o porquê?

Assista  Last Lecture.





Nos olhos

17 07 2008

Guarde nos olhos
A água mais pura da fonte
Beba esse horizonte
Toque nessas manhãs
Guarde nos olhos
A gota de orvalho chorado…

Ivan Lins





Boy

13 07 2008
"Boy", escultura de Ron Mueck
                   “Boy”, escultura de Ron Mueck
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Não, meu coração não é maior que o mundo.
É muito menor.
Nele não cabem nem as minhas dores.
Por isso gosto tanto de me contar.
Por isso me dispo,
por isso me grito,
por isso freqüento os jornais, me exponho cruamente nas livrarias:
preciso de todos.Sim, meu coração é muito pequeno.
Só agora vejo que nele não cabem os homens.
Os homens estão cá fora, estão na rua.
A rua é enorme. Maior, muito maior do que eu esperava.
Mas também a rua não cabe todos os homens.
A rua é menor que o mundo.
O mundo é grande.
Tu sabes como é grande o mundo.
Conheces os navios que levam petróleo e livros, carne e algodão.
Viste as diferentes cores dos homens,
as diferentes dores dos homens,
sabes como é difícil sofrer tudo isso, amontoar tudo isso
num só peito de homem… sem que ele estale.
Fecha os olhos e esquece.
Escuta a água nos vidros,
tão calma, não anuncia nada.
Entretanto escorre nas mãos,
tão calma! Vai inundando tudo…
Renascerão as cidades submersas?
Os homens submersos – voltarão?
Meu coração não sabe.
Estúpido, ridículo e frágil é meu coração.
Só agora descubro
como é triste ignorar certas coisas.
(Na solidão de indivíduo
desaprendi a linguagem
com que homens se comunicam.)
Outrora escutei os anjos,
as sonatas, os poemas, as confissões patéticas.
Nunca escutei voz de gente.
Em verdade sou muito pobre.
Outrora viajei
países imaginários, fáceis de habitar,
ilhas sem problemas, não obstante exaustivas e convocando ao suicídio.
Meus amigos foram às ilhas.
Ilhas perdem o homem.
Entretanto alguns se salvaram e
trouxeram a notícia
de que o mundo, o grande mundo está crescendo todos os dias,
entre o fogo e o amor.

Então, meu coração também pode crescer.
Entre o amor e o fogo,
entre a vida e o fogo,
meu coração cresce dez metros e explode.
– Ó vida futura! Nós te criaremos.

Carlos Drummond de Andrade

 





“Why not?”

11 07 2008

 

 

 

 

“Viver é surfar o caos. Você não pode modificá-lo, mas pode aprender a lidar com ele surfando seus limites. Tem mais, meu caro: ninguém é realmente místico por mais de cinco minutos. Não está contente ainda? Te digo uma coisa que aprendi na minha vida, aprendi muito profundamente: toda a realidade que nos cerca não passa de uma opinião.”

 Timothy Leary





9 07 2008

Alfama, Portugal

«(…)Cantar era bonito. Totoca sabia fazer outra coisa além de cantar, assobiar.Mas eu por mais que imitasse não saía nada. (…)Mas como eu não podia cantar por fora, fui cantando por dentro. (…) E eu estava me lembrando de uma música que Mamãe cantava quando eu era bem pequenininho. Ela ficava no tanque, com um pano amarrado na cabeça para tapar o sol. Tinha um avental amarrado na barriga e ficava horas e horas metendo a mão na água, fazendo sabão virar muita espuma. Depois torcia a roupa e ia até á corda. Prendia tudo na corda e suspendia o bambu. Ela fazia igualzinho com todas as roupas.(…)»

 José Mauro de Vasconcellos





Pra não dizer que não falei de Niterói…

2 07 2008

Praia de Icaraí

Futvôlei de Domingo

 

Coreto do Campo de São Bento

Parque da Cidade

Campo de São Bento

Icaraí

 

Igreja da Porciúncula

 

 Na Rua Octavio Kelly

 

Museu de Arte Contemporânea MAC

 

Camboinhas

Estação do Catamarã em Charitas





Porque há um excesso de céu nos olhos seus

2 07 2008

 

 

 

porque há um excesso de céu nos olhos seus deixei amanhecer páginas em branco sobre a neve para te conhecer. porque há um excesso de céu nos olhos seus todos os nomes do amor escrevi para te esquecer.

porque há um excesso de céu nos olhos seus noite a noite tenho que te perder em tudo que for preciso. porque há um excesso de céu nos olhos seus entendi que para as magnólias só o sentir tem sentido.

porque há um excesso de céu nos olhos seus de manhã li lírios em teus delírios. porque há um excesso de céu nos olhos seus de tarde vi verdade nas violetas.

porque há um excesso de céu nos olhos seus sei que se temos uma crise depois temos crisântemos. porque há um excesso de céu nos olhos seus ontem enterrei todos os cadáveres das flores que a florista não quis.

porque há um excesso de céu os olhos seus ignorei rasguei todas as cartas que o outono me mandava. porque há um excesso de céu nos olhos seus agora o inverno jamais irá saber meu endereço outra vez.

porque há um excesso de céu nos olhos seus um telefonema me despertou no meio da noite. era a primavera apreensiva e ofegante. uma primavera repleta de relógios hesitantes.

porque há esse excesso de céu nos olhos seus um telefonema me despertou no meio da noite no meio da manhã no meio da tarde. era a primavera. e eu disse

sim.

Fernando Koproski





Das palavras aéreas

1 07 2008

Bibliothèque nationale de France - Paris

 

Real Gabinete Português de Leitura - Rio de Janeiro

 

British Library – London

 

Trinity College Library - Dublin

 

Stiftsbibliothek – Klosterneuburg

 

 Strahohska Knihovna – Praga

 

Biblioteca de Babel

«By this art you may contemplate
the variation of the 23 letters…»
The Anatomy of Melancholy,
part 2, sect. II, mem. IV

 

O universo (a que outros chamam a Biblioteca) compõe-se de um número indefinido, e talvez infinito, de galerias hexagonais, com vastos poços de ventilação no meio, cercados por parapeitos baixíssimos. De qualquer hexágono vêem-se os pisos inferiores e superiores: intermina­velmente. A distribuição das galerias é invariável. Vinte estantes, a cinco longas estantes por lado, cobrem todos os lados menos dois; a sua altu­ra, que é a dos pisos, mal excede a de uni bibliotecário normal. Uma das faces livres dá para um estreito saguão, que vai desembocar noutra galeria, idêntica à primeira e a todas. À esquerda e à direita do saguão há dois gabinetes minúsculos. Um permite dormir de pé; o outro, satisfazer s necessidades fecais. Por aí passa a escada em espiral, que se afunda e e eleva a perder de vista. No saguão há um espelho, que fielmente du­plica as aparências. Os homens costumam inferir desse espelho que a Bi­blioteca não é infinita (se o fosse realmente, para que serviria esta dupli­cação ilusória?); eu prefiro sonhar que as superfícies polidas representam e prometem o infinito… A luz provém de umas frutas esféricas que têm o nome de lâmpadas. Há duas em cada hexágono: transversais. A luz que emitem é insuficiente, incessante.

Tal como todos os homens da Biblioteca, viajei na minha juventude; peregrinei em busca de um livro, se calhar do catálogo dos catálogos; agora que os meus olhos quase não conseguem decifrar o que escrevo, preparo-me para morrer a poucas léguas do hexágono em que nasci.

Jorge Luis Borges