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	<title>Timilique!</title>
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	<description>Quer ler? Ouvir? Gostar? Passa aqui!</description>
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		<title>Timilique!</title>
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		<title>Sobre as Memórias &#8211; Rubem Alves</title>
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		<pubDate>Fri, 06 Nov 2009 12:15:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>timilique</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[
Memória é onde se guardam as coisas do passado.
Há dois tipos de memória: memórias sem vida própria e memórias com vida própria.
As memórias sem vida própria são inertes. Não têm vontade. Sua existência é semelhante à das ferramentas guardadas numa caixa. Não se mexem. Ficam imóveis nos seus lugares, à espera. À espera de que? [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=tiatiz.wordpress.com&blog=3929364&post=2139&subd=tiatiz&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p><img class="aligncenter size-full wp-image-2143" title="cozinha2" src="http://tiatiz.files.wordpress.com/2009/11/cozinha2.jpg?w=509&#038;h=339" alt="cozinha2" width="509" height="339" /></p>
<p>Memória é onde se guardam as coisas do passado.</p>
<p>Há dois tipos de memória: memórias sem vida própria e memórias com vida própria.</p>
<p>As memórias sem vida própria são inertes. Não têm vontade. Sua existência é semelhante à das ferramentas guardadas numa caixa. Não se mexem. Ficam imóveis nos seus lugares, à espera. À espera de que? À espera de que as chamemos. Ao chegar a um hotel a recepcionista nos entrega uma ficha para ser preenchida. Lá estão os espaços em branco onde deverei escrever meu nome, endereço, número da carteira de identidade, do CPF, número do telefone, e-mail. Abro a minha caixa de memórias sem vida própria e encontro as informações pedidas. Se desejo ir do meu apartamento à casa de um amigo eu pergunto: que ruas tomar para chegar lá? Abro a caixa de ferramentas e lá encontro um mapa do itinerário que devo seguir. É da caixa das memórias sem vida própria que se valem os alunos para responder às questões propostas pelo professor numa prova. Se a memória não estiver lá ele receberá uma nota má&#8230;</p>
<p>São essas as memórias que os neurologistas testam para ver se uma pessoa está sofrendo do mal de Alzheimer. O médico, como quem não quer nada, vai discretamente fazendo perguntas sobre a cidade onde se nasceu, o nome dos pais, onde moram os filhos. Se a pessoa não souber responder é porque sua caixa de memórias está vazia. Essas memórias são muito importantes. Sem elas não poderíamos nos virar na vida. Estaríamos sempre perdidos.</p>
<p>As memórias com vida própria, ao contrário, não ficam quietas dentro de uma caixa. São como pássaros em vôo. Vão para onde querem. E podemos chamá-las que elas não vêm. Só vêm quando querem. Moram em nós mas não nos pertencem. O seu aparecimento é sempre uma surpresa. É que nem suspeitávamos que estivessem vivas! A gente vai calmamente andando pela rua e, de repente, um cheiro de pão. E nos lembramos da mãe assando pães na cozinha&#8230; Viajando, olhando a paisagem com pensamento perdido, vemos um rio. E a alma começa a recitar “O Tejo é mais belo que o rio da minha aldeia. Mas o Tejo não é mais belo que o rio da minha aldeia. Porque o Tejo não é o rio da minha aldeia.” E nos lembramos então do riachinho em que brincávamos quando crianças.</p>
<p>Uma leitora enviou-me um e-mail em inglês. Desculpou-se. É egípcia. Vive no Brasil, entende bem o português mas tem dificuldades em se expressar. Disse-me que gostava das coisas que escrevo. Escreveu-me para dizer que uma palavra, uma única palavra que eu havia escrito a apunhalara. Numa crônica que eu escrevera para minhas netas, contando como era a vida na roça, disse que não havia eletricidade. Portanto não havia geladeiras. As comidas eram guardadas num armário de tela chamado “guarda-comida”. Essa foi a palavra que a apunhalou. Como é que uma palavra tão banal pode apunhalar? Não foi a palavra. Foi a lembrança. Ela já havia se esquecido de que essa palavra existia. Aí, quando ela a leu, um passado longínquo retornou. Ela se viu menina na cozinha de sua casa no Cairo. Lá havia um guarda-comida&#8230;</p>
<p>“Alma” é o nome do lugar onde se encontram esses pedaços perdidos de nós mesmos. São partes do nosso corpo como as pernas, os braços, o coração. Circulam em nosso sangue, estão misturadas com os nossos músculos. Quando elas aparecem o corpo se comove, ri, chora&#8230;</p>
<p>Para que servem elas? Para nada. Não são ferramentas. Não podem ser usadas. São inúteis. Elas aparecem por causa da saudade. A alma é movida à saudade. A alma não tem o menor interesse no futuro. A saudade é uma coisa que fica andando pelo tempo passado à procura dos pedaços de nós mesmos que se perderam.</p>
<p>Minha amiga querida Maria Antônia de Oliveira escreveu:</p>
<p>“A vida se retrata no tempo formando um vitral, de desenho sempre incompleto, de cores variadas, brilhantes, quando passa o sol. Pedradas ao acaso acontece de partir pedaços ficando buracos, irreversíveis. Os cacos se perdem por aí. Às vezes eu encontro cacos de vida que foram meus, que foram vivos. Examino-os atentamente tentando lembrar de que resto faziam parte. Já achei caco pequeno e amarelinho que ressuscitou de mentira, um velho amigo. Achei outro pontudo e azul, que trouxe em nuvens um beijo antigo. Houve um caco vermelho que muito me fez chorar, sem que eu lembrasse de onde me pertencera.&#8221; (Ceriguela, p.14)</p>
<p>É com esses cacos de memória, pedaços de nós mesmos, que se escrevem romances, estórias infantis, poesia, lendas, mitos religiosos, utopias. Nietzsche dizia que só amava os livros escritos com essas memórias, escritos com sangue. E Guimarães Rosa dizia a seus leitores que, para se ser escritor é preciso conhecer a alquimia do sangue do coração humano. Ler um livro escrito com sangue é participar de um ritual antropofágico. É uma celebração eucarística.</p>
<p>Quando eu contava uma estória para minha filha pequena ela me perguntava: “Papai, essa estória aconteceu mesmo?” Traduzindo em linguagem de adulto: essas memórias são memórias de coisas que aconteceram ou são invenções? Eu ficava quieto, sem saber o que dizer. A explicação seria: “Não aconteceu nunca para que aconteça sempre&#8230;” O corpo se alimenta do que não existe. Temos saudade do que nunca aconteceu.</p>
<p>É muito fácil contar o passado usando as memórias sem vida própria. É só coletar os fatos e organizá-los numa ordem temporal e espacial. É assim que se escreve a “história”.</p>
<p>Mas é muito difícil contar as memórias com vida própria. Mia Couto, escritor angolano, sabe disso. Eis o que escreveu: “O que Dona Luarmina me solicita são exactas memórias. E isso é o que eu menos quero. Não é que me faltem lembranças. Estão é espalhadas em toda a minha substância. Meu corpo foi-se tornando um cemitério de tempo, parece um desses bosques sagrados onde enterramos nossos mortos.”</p>
<p>As coisas se complicam quando é um velho contando estórias da sua infância. A saudade mistura tudo. A saudade não conhece o tempo. Não sabe o que é antes e nem depois. Tudo é presente. “A lembrança pura não tem data. Tem uma estação. Que sol ou que vento fazia nesse dia memorável? O devaneio não conta histórias&#8230;” ( Bachelard )</p>
<p>Aí vem a confusão. O escritor duvida de suas lembranças e pergunta como a Adélia Prado: “Houve esta vida ou inventei?” Se a Adélia dirigisse a mim a sua pergunta acerca das coisas que eu conto eu responderia. “Se essa vida não houve, quando a escrevo fica havendo&#8230; &#8220;</p>
<p><a href="http://www.rubemalves.com.br/"><span style="color:#000000;"><em>Rubem Alves</em> </span></a></p>
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		<title>Para que servem folhas secas</title>
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		<pubDate>Thu, 05 Nov 2009 01:18:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>timilique</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[ 
República Centro-Africana, década de 60.
Um jovem casal suiço é enviado como missionário em um país tenso e recém independente.Um país sem litoral, rodeado de conflitos, exageradamente quente e apinhado de inúmeras aldeias com costumes primitivos e falta de qualquer modernidade.
Eles se instalam em uma casa que pertencera a outra familia, agora em viagem pelo mundo. [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=tiatiz.wordpress.com&blog=3929364&post=2109&subd=tiatiz&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><div id="attachment_2130" class="wp-caption aligncenter" style="width: 520px"><img class="size-full wp-image-2130" title="Outono em Lansing - Foto de Mario Fusco" src="http://tiatiz.files.wordpress.com/2009/11/folhas-31.jpg?w=510&#038;h=339" alt="Outono em Lansing - Foto de Mario Fusco" width="510" height="339" /><p class="wp-caption-text">Outono em Lansing - Foto de Mario Fusco</p></div>
<p style="text-align:left;"> </p>
<p style="text-align:left;">República Centro-Africana, década de 60.</p>
<p style="text-align:left;">Um jovem casal suiço é enviado como missionário em um país tenso e recém independente.Um país sem litoral, rodeado de conflitos, exageradamente quente e apinhado de inúmeras aldeias com costumes primitivos e falta de qualquer modernidade.</p>
<p style="text-align:left;">Eles se instalam em uma casa que pertencera a outra familia, agora em viagem pelo mundo. As casas de aldeia são sempre simples e rústicas, paredes claras e sem acabamento. O chão eventualmente é de terra batida feito argila especial, e alguns cômodos podem ter um pouco mais de refinamento, com o chão de cimento alisado.</p>
<p style="text-align:left;">Mas o casal descobriu, em meio a tanta simplicidade, que existia um capricho deixado pelo morador anterior. Encantados, notaram que o chão da sala e quarto possuía um desenho especial, que tentaram reproduzir na construção de um próximo cômodo.</p>
<p style="text-align:left;">A cobertura de cimento, após ser alisada sobre a terra, corria o risco de rachar devido ao forte calor da casa. Os nativos ensinavam um recurso criativo para atrasar a secagem e impedir fissuras no piso: cobriam tudo com centenas de folhas secas que se acumulavam, caídas das mangueiras, nos quintais, e eram capazes de reter parcialmente a umidade, permitindo uma secagem gradual.</p>
<p style="text-align:left;">A surpresa é que, ao retirarem as folhas após os dias da secagem, o cimento ficava impregnado com os contornos gerados pelo pigmento, tatuado involuntariamente. Eram centenas delas, feito um tapete amarelo esverdeado, cobrindo o chão com  incomparável e surpreendente beleza.</p>
<p style="text-align:left;">Ouvi esse relato há anos de Pierre e Lily Waridel, amigos de longa data. Se não me engano, ele chegava a suspirar quando dizia que aquele &#8220;<em>piso de folhas&#8221;</em> era um dos mais bonitos que possuíra em todas as casas e países nos quais morara ao longo da vida. Era o tipo de beleza que surgia do inesperado. A marca deixada por algo que aparentemente  não tem mais valor, utilidade ou sinal de vida: folhas caídas das árvores.</p>
<p style="text-align:left;">Não é preciso ir longe na analogia para entender que nem sempre aquilo que se resolve com extrema rapidez seja o melhor caminho. Por vezes, é necessário um certo tardar, um certo esperar, um certo aquietar, uma porção de folhas secas sem utilidade. Sem desvarios, sem afobação.</p>
<p style="text-align:left;">Às vezes a ansiedade e a pressa racham aos poucos a nossa alma, que precisa ser cicatrizada com delicadeza e amor. Mais horas de sono, de ócio, de abraços sem utilidade, de risadas, de sonhos. Mais banhos demorados, caminhadas inventadas, menos vidros fechados às pressas nos sinais, menos olhares perdidos, menos empáfia, menos etiqueta nas roupas, menos grife.</p>
<p style="text-align:left;">Quem sonha não pode ter pressa, porque, para &#8216;<em>acordar-se pra dentro&#8217;</em>, como dizia Quintana, é preciso usar as muitas folhas secas que esse dia nos deixou.</p>
<p style="text-align:left;"> </p>
<p><em>                             <span style="color:#333333;">Helena Beatriz Pacitti  &#8211; 04/11/2009</span></em></p>
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		<title>A vida é tão rara &#8230;</title>
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		<pubDate>Thu, 22 Oct 2009 10:02:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>timilique</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[ 
 
 
&#8216;Eu nunca vou me cansar de água de coco, nascer do sol, pôr do sol, canto de passarinho, cheiro de mato molhado de chuva em dia quente, café recém coado, banana com queijo, água de moringa, dar risada, cachoeira, ler, ler, ler, ler, escrever, ler, ouvir Mozart, ouvir Bach, ouvir Chopin, correr com tênis macio, [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=tiatiz.wordpress.com&blog=3929364&post=2092&subd=tiatiz&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p style="text-align:justify;"> <img class="aligncenter size-full wp-image-2105" title="vida rara" src="http://tiatiz.files.wordpress.com/2009/10/folha_orvalho1.jpg?w=510&#038;h=354" alt="vida rara" width="510" height="354" /></p>
<p style="text-align:center;"><em> </em></p>
<p style="text-align:justify;"> </p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#333333;">&#8216;Eu nunca vou me cansar de água de coco, nascer do sol, pôr do sol, canto de passarinho, cheiro de mato molhado de chuva em dia quente, café recém coado, banana com queijo, água de moringa, dar risada, cachoeira, ler, ler, ler, ler, escrever, ler, ouvir Mozart, ouvir Bach, ouvir Chopin, correr com tênis macio, espirrar de manhã. Nunca vou me cansar de falar do meu pai, do meu avô, da minha professora predileta, da máquina de escrever dourada do meu antigo pediatra, dos amigos que amo, dos meus filhos.Nunca vou me cansar de fazer cafuné. Nunca vou me cansar de receber cafuné, de massagem no pé, de ouvir histórias à luz do abajur de noite até dormir. Não vou me cansar de ver desenho animado bonitinho, de ir a museu, do cheiro de pãozinho assado, de guaraná, de biscoito maizena.Nunca vou me cansar do cheiro de sabonete  que fica depois do banho, do barulho da chuva e do trovão, do choro meio miado de um bebê recém nascido. Eu nunca vou me cansar de Deus, porque Ele nunca se cansa de mim.Eu nunca vou me cansar da vida, e só irei embora quando Deus estiver com uma saudade louca e sentir ciúmes de mim. Aí eu nunca mais vou sair dos braços d&#8217;Ele.&#8217;</span></p>
<p style="text-align:justify;"><em> </em></p>
<p style="text-align:justify;"><em><span style="color:#808080;">(Helena Beatriz Pacitti)</span></em></p>
<p style="text-align:justify;"><em> </em></p>
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	</item>
		<item>
		<title>Passarim (baseado em fatos verídicos)</title>
		<link>http://tiatiz.wordpress.com/2009/10/19/passarim-baseado-em-fatos-veridicos/</link>
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		<pubDate>Mon, 19 Oct 2009 18:53:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>timilique</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[
 
Passava o dia no quintal, esvoaçando e cantando entre as mangueiras. Bem- te-vi que se preza canta o tempo inteiro. Tinha uma coloração parda no dorso e amarela viva na barriga. No alto da cabecinha passava uma listra branca ,assim como na garganta; a cauda era toda preta.
Estava bem na mira do menino, a uns [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=tiatiz.wordpress.com&blog=3929364&post=2084&subd=tiatiz&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p style="text-align:justify;"><img class="aligncenter size-full wp-image-2083" title="Bem-Te-Vi" src="http://tiatiz.files.wordpress.com/2009/10/bem-te-vi1.jpg?w=509&#038;h=331" alt="Bem-Te-Vi" width="509" height="331" /></p>
<p style="text-align:justify;"> </p>
<p style="text-align:justify;">Passava o dia no quintal, esvoaçando e cantando entre as mangueiras. Bem- te-vi que se preza canta o tempo inteiro. Tinha uma coloração parda no dorso e amarela viva na barriga. No alto da cabecinha passava uma listra branca ,assim como na garganta; a cauda era toda preta.</p>
<p style="text-align:justify;">Estava bem na mira do menino, a uns 60 graus do estilingue novo, recém feito com tiras de borracha e a forquilha amarrada ainda verde.</p>
<p style="text-align:justify;">O menino vivia de ouvido no ar, imaginando ser um soldado a procura do inimigo, ou, vai saber, o próprio <em>Sargento Vic Morrow</em> da série da TV, pronto para abater seu primeiro troféu.</p>
<p style="text-align:justify;">Aí o bem-te-vi cantou. Aquilo encheu o coração do menino, que sentia a batedeira na boca enquanto encaixava a pedrinha no couro do estilingue. A pedra saiu voando em direção ao alvo. O tiro foi certeiro&#8230; a pedra atingiu em cheio o peitinho amarelo do bicho! Mas, para surpresa do menino, o pássaro permaneceu imóvel, olhando fixamente para o caçador. A pedrinha simplesmente havia quicado nas penas e caído direto no chão, sem mesmo abalar o passarinho.</p>
<p style="text-align:justify;">O menino, assombrado, percebeu que não havia medo no olhar do bem-te-vi.A principio teve até um pouquinho de culpa, mas aos poucos aquilo se transformou em um misto de alívio e gratidão. Em seus 12 anos de vida, sentiu pela primeira vez uma reverência à vida e a celebração da liberdade. Descobriu que a face de Deus costuma aparecer nas pequenas coisas. Aprendeu a cultivar esse sentimento.</p>
<p style="text-align:justify;">Adulto, lembra-se da história e procura entender o que realmente aconteceu. Pensa em explicações lógicas: haveria um galho à frente que não percebera? O projétil perdera a força vibrando no ar? Sua ansiedade de caçador imaginou tudo isso?</p>
<p style="text-align:justify;">Não. Tudo aconteceu exatamente assim. O homem conclui que não tentará achar mais nenhuma explicação. A certeza que carrega é que, naquele dia, um menino cresceu rápido para se tornar um homem de bem.</p>
<p style="text-align:justify;"><em>Helena Beatriz Pacitti, primavera de 2009</em></p>
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			<media:title type="html">Bem-Te-Vi</media:title>
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	</item>
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		<title>Antes &#8230;</title>
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		<pubDate>Tue, 13 Oct 2009 10:52:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>timilique</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[
 
Avant donc que d&#8217;écrire, apprenez à penser.
Nicolas Boileau, 1636 &#8211; 1711
 
 Antes de escrever, (deve-se aprender a) pensar.
       <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=tiatiz.wordpress.com&blog=3929364&post=2079&subd=tiatiz&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p><img class="aligncenter size-full wp-image-2078" title="moça janela" src="http://tiatiz.files.wordpress.com/2009/10/moca-janela.jpg?w=510&#038;h=341" alt="moça janela" width="510" height="341" /></p>
<p> </p>
<p style="text-align:center;"><span style="color:#000000;">Avant donc que d&#8217;écrire, apprenez à penser.</span></p>
<p style="text-align:center;"><em><span style="color:#000000;">Nicolas Boileau, 1636 &#8211; 1711</span></em></p>
<p style="text-align:center;"><em> </em></p>
<p style="text-align:center;"><em><span style="color:#333333;"> Antes de escrever, (deve-se aprender a) pensar.</span></em></p>
  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/tiatiz.wordpress.com/2079/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/tiatiz.wordpress.com/2079/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/tiatiz.wordpress.com/2079/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/tiatiz.wordpress.com/2079/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/tiatiz.wordpress.com/2079/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/tiatiz.wordpress.com/2079/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/tiatiz.wordpress.com/2079/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/tiatiz.wordpress.com/2079/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/tiatiz.wordpress.com/2079/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/tiatiz.wordpress.com/2079/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=tiatiz.wordpress.com&blog=3929364&post=2079&subd=tiatiz&ref=&feed=1" /></div>]]></content:encoded>
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	</item>
		<item>
		<title>De mãos dadas</title>
		<link>http://tiatiz.wordpress.com/2009/10/10/de-maos-dadas/</link>
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		<pubDate>Sun, 11 Oct 2009 01:02:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>timilique</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[ 

 

 
 

O presente é tão grande, não nos afastemos.
Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas. 
Carlos Drummond de Andrade
 
Outro dia , ouvindo uma das obras musicais que mais aprecio, lembrei vagamente da história de amor que aconteceu nos bastidores.
Johannes era um jovem compositor na Alemanha do século XIX que devotava amizade e admiração profundas  a outro pianista contemporâneo, [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=tiatiz.wordpress.com&blog=3929364&post=2060&subd=tiatiz&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p style="text-align:left;"><em> </em></p>
<div><em></em></div>
<p> </p>
<p><em></p>
<div id="attachment_2068" class="wp-caption aligncenter" style="width: 381px"><img class="size-full wp-image-2068" title="NA001289" src="http://tiatiz.files.wordpress.com/2009/10/na0012891.jpg?w=371&#038;h=480" alt="Nápolis, Italia, 1944 - Image by © CORBIS" width="371" height="480" /><p class="wp-caption-text">Nápolis, Italia, 1944 - Image by © CORBIS</p></div>
<p> </p>
<p> </p>
<p></em></p>
<p style="text-align:right;"><em>O presente é tão grande, não nos afastemos.<br />
Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas. </em></p>
<p style="text-align:right;"><em>Carlos Drummond de Andrade</em></p>
<p style="text-align:right;"><em> </em></p>
<p style="text-align:justify;">Outro dia , ouvindo uma das obras musicais que mais aprecio, lembrei vagamente da história de amor que aconteceu nos bastidores.</p>
<p style="text-align:left;">Johannes era um jovem compositor na Alemanha do século XIX que devotava amizade e admiração profundas  a outro pianista contemporâneo, Robert.  Robert, compositor já consagrado, recebeu-o em sua casa em Düsseldorf como amigo e pupilo genial, recomendando-o a seus editores.</p>
<p style="text-align:justify;">Robert era casado há alguns anos com Clara, também excelente  intérprete e divulgadora das obras do marido.Já havia nela um quê de <span style="color:#000000;">&#8220;<em><a href="http://www.mpbnet.com.br/musicos/ataulfo.alves/letras/ai_que_saudades_da_amelia.htm">Amélia</a></em>&#8220;</span> :  muitas vezes abdicou  da própria carreira como compositora para promover a de Robert, cujas crises depressivas e o envolvimento com alcoolismo fizeram com que ela assumisse, gradativamente, as responsabilidades familiares.</p>
<p style="text-align:justify;">Após uma trágica tentativa de suicídio e internação em um manicômio, Robert morre e Johannes descobre-se  dolorosamente apaixonado por Clara.  Não há registro oficial de que ele se declare em algum momento , mas, curiosamente, passa a dedicar-lhe grande parte de suas obras e peças. </p>
<p style="text-align:left;">Estes são Brahms, Schumman e Clara  Schumman. O Concerto é o Concerto para Piano nº 1 em Ré menor , op. 15 de Johannes Brahms (1833-1897). Os movimentos refletem a turbulência emocional pela qual o compositor passa: escrito durante o colapso mental de Robert,  é o  jovem desesperado e  dividido entre a fidelidade ao amigo e sua recém descoberta paixão por Clara.</p>
<p style="text-align:justify;">Ele se mostra capaz de alternar a mais profunda escuridão com momentos de luminosidade, grande pesar e suave consolo. O segundo movimento, <em>Adagio</em>, é uma espécie de &#8220;retrato musical amoroso de Clara&#8221;, e ao mesmo tempo um quase-<em>requiem</em> pela iminente morte de Schumman. Aí reside toda a beleza: não no amor irrealizado, mas em transformar a tragédia em um registro permanente de lirismo e esperança.</p>
<p style="text-align:justify;">Clara e Brahms continuam amigos por mais 14 anos, mantendo a colaboração mútua na esfera profissional e na defesa da estética musical romântica. Ela morre viúva, ele, solteiro, poucos meses depois.</p>
<p style="text-align:left;">Penso nos três, na opção que fizeram, sem julgar se foram as opções mais acertadas ou não. Penso em algo maior, no amor que devotaram uns aos outros,na amizade genuína entre eles, no tipo de  fidelidade em que criam. Certamente não é uma história de amor típica da nossa época. Não é a nossa moda.Mas esse era o amor romântico irrealizado, o mais puro &#8220;Romantismo Histórico&#8221; do século em que viveram.</p>
<p style="text-align:justify;">O que fica é essa capacidade infinita de amar, de se doar, seja à Música, seja à Vida. De certa forma, os três caminharam de mãos dadas, viveram a plenitude do seu presente, e, por fim, deixaram a nós, homens e mulheres de qualquer tempo , um legado eterno.</p>
<p style="text-align:justify;"> </p>
<p style="text-align:justify;"><a href="http://www.youtube.com/watch?v=fR3e3r9DdYc&amp;hl=pt-BR"><span style="color:#000000;"><em>Ouça e assista o início do Segundo Movimento (Adagio) do Concerto para Piano nº 1 em Ré menor , op. 15 de Johannes Brahms , na interpretação de  Arthur Rubinstein</em>.</span></a><em> </em></p>
<p style="text-align:justify;"><em><a href="http://rapidshare.com/files/64706232/2007__Brahms__Piano_Concertos__Decca_4757637__CD1__Nelson_Freire__Riccardo_Chailly___Gewandhaus_Orch"><span style="color:#000000;">Ouça e baixe a versão integral do Concerto para Piano nº 1 em Ré menor , op. 15 de Johannes Brahms, com Nelson Freire.</span></a></em></p>
<p style="text-align:justify;"> </p>
<p style="text-align:justify;">HBP, primavera 2009</p>
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		<title>Jabberwocky</title>
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		<pubDate>Thu, 08 Oct 2009 11:44:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>timilique</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[Era briluz. As lesmolisas touvas
Roldavam e relviam nos gramilvos.
Estavam mimsicais as pintalouvas,
E os momirratos davam grilvos.
“Foge do Jaguadarte, o que não morre!
Garra que agarra, bocarra que urra!
Foge da ave Felfel, meu filho, e corre
Do frumioso Babassurra!”
Êle arrancou sua espada vorpal
E foi atrás do inimigo do Homundo.
Na árvora Tamtam êle afinal
Parou, um dia, sonilundo.
E enquanto estava [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=tiatiz.wordpress.com&blog=3929364&post=2051&subd=tiatiz&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><div id="attachment_2053" class="wp-caption aligncenter" style="width: 520px"><img class="size-full wp-image-2053" title="salvador_dali" src="http://tiatiz.files.wordpress.com/2009/10/salvador_dali1.png?w=510&#038;h=361" alt="Iustração: Salvador Dali" width="510" height="361" /><p class="wp-caption-text">Iustração: Salvador Dali</p></div>
<p style="text-align:justify;">Era briluz. As lesmolisas touvas<br />
Roldavam e relviam nos gramilvos.<br />
Estavam mimsicais as pintalouvas,<br />
E os momirratos davam grilvos.</p>
<p style="text-align:justify;">“Foge do Jaguadarte, o que não morre!<br />
Garra que agarra, bocarra que urra!<br />
Foge da ave Felfel, meu filho, e corre<br />
Do frumioso Babassurra!”</p>
<p style="text-align:justify;">Êle arrancou sua espada vorpal<br />
E foi atrás do inimigo do Homundo.<br />
Na árvora Tamtam êle afinal<br />
Parou, um dia, sonilundo.</p>
<p style="text-align:justify;">E enquanto estava em sussustada sesta,<br />
Chegou o Jaguadarte, ôlho de fogo,<br />
Sorrelfiflando através da floresta,<br />
E borbulia um riso louco!</p>
<p style="text-align:justify;">Um, dois! Um, dois! Sua espada mavorta<br />
Vai-vem, vem-vai, para trás, para diante!<br />
Cabeça fere, corta, e, fera morta,<br />
Ei-lo que volta galunfante.</p>
<p style="text-align:justify;">“Pois então tu mataste o Jaguadarte!<br />
Vem aos meus braços, homenino meu!<br />
Oh dia fremular! Bravooh! Bravarte!”<br />
Êle se ria jubileu.</p>
<p style="text-align:justify;">Era briluz. As lesmolisas touvas<br />
Roldavam e relviam nos gramilvos.<br />
Estavam mimsicais as pintalouvas,<br />
E os momirratos davam grilvos.</p>
<p style="text-align:justify;"><em><strong>Lewis Carroll /Tradução: Augusto de Campos</strong></em></p>
<p style="text-align:justify;"> </p>
<p style="text-align:justify;"><em>Jabberwocky é um poema nonsense que aparece em Through the Looking-Glass, and What Alice Found There (1871) por Lewis Carroll. É geralmente considerado um dos maiores poemas de nonsense escritos em língua Inglesa, e passou a significar, na Literatura Geral, um texto brincalhão, composto em linguagem inventada mas parecendo real, sonora e sem sentido. Veja <a href="http://www.jabberwocky.com/carroll/jabber/jabberwocky.html">o poema original</a>, ou o <a href="http://etext.virginia.edu/toc/modeng/public/CarGlas.html">livro completo online</a>.</em></p>
  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/tiatiz.wordpress.com/2051/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/tiatiz.wordpress.com/2051/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/tiatiz.wordpress.com/2051/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/tiatiz.wordpress.com/2051/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/tiatiz.wordpress.com/2051/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/tiatiz.wordpress.com/2051/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/tiatiz.wordpress.com/2051/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/tiatiz.wordpress.com/2051/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/tiatiz.wordpress.com/2051/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/tiatiz.wordpress.com/2051/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=tiatiz.wordpress.com&blog=3929364&post=2051&subd=tiatiz&ref=&feed=1" /></div>]]></content:encoded>
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	</item>
		<item>
		<title>Descobrir</title>
		<link>http://tiatiz.wordpress.com/2009/10/03/descobrir/</link>
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		<pubDate>Sun, 04 Oct 2009 02:35:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>timilique</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://tiatiz.wordpress.com/?p=2029</guid>
		<description><![CDATA[
Não te encontro, não te alcanço&#8230;
Só &#8211; no tempo equilibrada,
desprendo-me do balanço
que além do tempo me leva.
Só &#8211; na treva,
fico: recebida e dada.
Porque a vida, a vida, a vida,
a vida só é possível
reinventada.
Cecilia Meireles
Ainda me encanta a capacidade do ser humano de descobrir, seja descobrir o mundo, descobrir a si mesmo e descobrir o outro.
Na infância, dizem, o [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=tiatiz.wordpress.com&blog=3929364&post=2029&subd=tiatiz&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p style="text-align:center;"><em><img class="aligncenter size-full wp-image-2044" title="cavalo - mulher" src="http://tiatiz.files.wordpress.com/2009/10/cavalo-mulher.jpg?w=510&#038;h=325" alt="cavalo - mulher" width="510" height="325" /></em></p>
<p style="text-align:right;"><em>Não te encontro, não te alcanço&#8230;<br />
Só &#8211; no tempo equilibrada,<br />
desprendo-me do balanço<br />
que além do tempo me leva.<br />
Só &#8211; na treva,<br />
fico: recebida e dada.<br />
Porque a vida, a vida, a vida,<br />
a vida só é possível<br />
reinventada.</em></p>
<p style="text-align:right;"><em>Cecilia Meireles</em></p>
<p style="text-align:justify;">Ainda me encanta a capacidade do ser humano de descobrir, seja descobrir o mundo, descobrir a si mesmo e descobrir <em>o outro.</em></p>
<p style="text-align:justify;">Na infância, dizem, o conhecimento se dá por descobertas que a própria criança faz .Educar parece ser agora visto  como “provocar a atividade”.</p>
<p style="text-align:justify;">Quem convive com uma criança de 2 anos repara como o bebê desenvolve a percepção de si mesmo e dos objetos a sua volta. É capaz de passar longos períodos descobrindo as próprias mãos, mexendo os dedinhos e se encantando com seus próprios movimentos, por exemplo. Será também preciso caminhar de mãos dadas com esta criança, tempos depois, para descobrir como é demorado conseguir chegar simplesmente ao final da quadra, porque a caminhada será fatalmente interrompida um sem número de vezes por um cachorro, uma pequena planta ou uma formiga carregando uma folha maior que ela mesma.</p>
<p style="text-align:justify;">Mas o que hoje me intriga e me encanta é “descobrir pessoas”, mormente as que nunca cheguei a conhecer pessoalmente. Como isso se dá? Quando leio uma biografia, quando admiro uma obra ou um legado, quando <em>conheço alguém pelo outro.</em> Porque uma pessoa nunca é só ela mesma, mas o somatório de aquelas que a acompanharam ao longo da vida.</p>
<p style="text-align:justify;">Outro dia <em>“descobri”</em> Mimi, que foi ao mesmo tempo amiga, filha, mãe, esposa e alguém que amou profundamente a vida. Tinha a marca da alegria de viver.Tenho ouvido  algumas histórias sobre ela, seu jeito carinhoso com os amigos, suas frases, suas promessas, seus pedidos a quem amava. Fez suas escolhas, enfrentou algumas incompreensões temporárias, estudou, mudou-se, conquistou seu grande amor e deixou um legado permanente de companheirismo.</p>
<p style="text-align:justify;"> Mimi me fez entender melhor o significado de <em>companheiro</em> (do latim <em>companionem</em>: <em>com</em> – “com” e <em>panis</em> – “pão”), etimologicamente,<em> aquele com quem se divide o pão.</em></p>
<p style="text-align:justify;">Quem muito amou Mimi sabe que foi necessário dividir o pão com ela, conviver longamente para captar a beleza da sua pessoa. Ali não pude estar.Mas quem esteve me partilha, e assim  a admiro imensamente. Admiro-a pelo que dela ainda brilha na gente, o cheiro da sua doçura, a força de sua alegria. E isso me encoraja hoje, tempos e lugares depois, quando, nas minhas descobertas de vida, percebo que ainda erro, ainda me precipito, ainda não acertei meus alvos, ainda perservero.</p>
<p style="text-align:justify;">Mas é aí que surgem novas descobertas: é preciso descobrir o perdão: perdoar e ser perdoado. Descobrir a leveza. Descobrir que depois da tristeza vem a alegria. Que mesmo após doloroso luto, nasce vida nova. Descobrir que<em> a vida</em> , segundo Cecilia,  <em>só é possível reinventada.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>HBP, 03/10/2009</em></p>
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		<title>Travar conhecimento com a noite</title>
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		<pubDate>Sat, 03 Oct 2009 18:33:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>timilique</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[Sou um que travou conhecimento com a noite.
Eu fui passear na chuva &#8211; e na chuva voltei.
Deixei longe a luz mais distante da cidade.
Olhei a mais triste ruela da cidade.
Passei pelo vigia em sua ronda
E para não explicar baixei os olhos.
Fiquei imóvel sem o barulho dos meus passos
Quando de longe um grito interrompido
Veio, por sobre [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=tiatiz.wordpress.com&blog=3929364&post=2032&subd=tiatiz&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><div id="attachment_2033" class="wp-caption aligncenter" style="width: 325px"><img class="size-full wp-image-2033" title="mulher sombraRodrigo Budag" src="http://tiatiz.files.wordpress.com/2009/10/mulher-sombrarodrigo-budag.jpg?w=315&#038;h=400" alt="Foto: Rodrigo Budag" width="315" height="400" /><p class="wp-caption-text">Foto: Rodrigo Budag</p></div>
<p>Sou um que travou conhecimento com a noite.<br />
Eu fui passear na chuva &#8211; e na chuva voltei.<br />
Deixei longe a luz mais distante da cidade.<br />
Olhei a mais triste ruela da cidade.<br />
Passei pelo vigia em sua ronda<br />
E para não explicar baixei os olhos.</p>
<p>Fiquei imóvel sem o barulho dos meus passos<br />
Quando de longe um grito interrompido<br />
Veio, por sobre as casas, de outra rua,Mas não era chamado ou despedida;<br />
E mais longe ainda, numa altura incrível,<br />
Contra o céu, havia um relógio iluminando</p>
<p>Proclamando que a hora não era certa nem errada.<br />
Fui um que travou conhecimento com a noite.</p>
<p><em>Robert Frost</em></p>
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		<title>O menino que ficava vermelho de repente</title>
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		<pubDate>Wed, 16 Sep 2009 13:21:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>timilique</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[ 
Uma das obras mais graciosas do cartunista francês Sempé conta a divertida história de um garotinho que ruboriza sem motivo algum, Marcellin Caillou, e sua amizade com René Ratêau, o menino violonista que espirra o tempo todo, mesmo sem estar resfriado. O livro, de 1969, só agora foi lançado no Brasil, pela Editora Cosac Naify.
O [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=tiatiz.wordpress.com&blog=3929364&post=2016&subd=tiatiz&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><div id="attachment_2017" class="wp-caption aligncenter" style="width: 458px"><img class="size-full wp-image-2017" title="sempé" src="http://tiatiz.files.wordpress.com/2009/09/sempe.jpg?w=448&#038;h=326" alt="Desenho de Jean-Jacques Sempé" width="448" height="326" /><p class="wp-caption-text">Desenho de Jean-Jacques Sempé</p></div>
<p style="text-align:justify;"> </p>
<p style="text-align:justify;">Uma das obras mais graciosas do cartunista francês Sempé conta a divertida história de um garotinho que ruboriza sem motivo algum, Marcellin Caillou, e sua amizade com René Ratêau, o menino violonista que espirra o tempo todo, mesmo sem estar resfriado. O livro, de 1969, só agora foi lançado no Brasil, pela Editora Cosac Naify.</p>
<p style="text-align:justify;">O cartunista inspirou-se em si mesmo para a construção deste personagem: &#8220;<em>Quando era jovem, isso acontecia comigo frequentemente. Eu ficava vermelho bruscamente.&#8221;</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>&#8220;Nunca soube o porquê. Eu era um menino , mas ainda assim&#8230;.Sei lá. De tanto pensar nisso, um dia quis criar uma história sobre a amizade entre dois meninos. Mas levei muito tempo para encontrar uma particularidade no menino que se tornaria o melhor amigo de Marcelino. Como também tenho alergias, imaginei um garoto que espirrava o tempo todo, mesmo sem estar resfriado&#8230;são as alergias&#8230;&#8221;</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>&#8220;Como eu mesmo tenho muitas fraquezas e muito carinho por mim, forçosamente coloco isso nos desenhos.&#8221;</em></p>
<p>Leia o livro:<br />
Marcelino Pedregulho<br />
Jean-Jacques Sempé (texto e ilustrações)<br />
Tradução: Mario Sergio Conti<br />
Ed. Cosac Naify<br />
Brochura<br />
128 páginas; 65 ilustrações;<br />
ISBN 978-85-7503-815-4<br />
Publicação: jul. 2009</p>
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