Mozart e os números

-Mozart 3

 

Concerto Nº 20, Sinfonia nº 41, K. 551 – o que significam esses números?

Vejamos como exemplo uma obra bem conhecida de Mozart, a Sinfonia “Júpiter”. Segundo a editora vienense Breitkopf und Härtel ( a primeira a publicar a maioria das obras orquestrais de Mozart, no início do século XIX), a “Júpiter” é a 41ª na ordem cronológica das sinfonias. Essa enumeração não inclui as diversas peças orquestrais que Mozart formou a partir de outras obras suas, chamando-as de “sinfonias”.

Porém a “Jupiter” também é a Nº 1 no conjunto de sinfonias arranjadas como duetos para piano, publicados por C.F. Peters em Leipzig por volta de 1830.  No catálogo Köchel, ela aparece como K. 551.  Mozart não teve nada a ver com o nome “Júpiter”, embora este seja muito apropriado à música. O nome foi cunhado pelo empresário londrino J.P. Salomon, o mesmo que patrocinou os concertos dados por Haydn em Londres. Esse nome apareceu pela primeira vez na imprensa em 1823, numa versão para piano solo de Muzio Clementi.

Nessa época, antes que a publicação de partituras se tornasse uma próspera indústria, muitas grandes obras sobreviveram apenas em manuscritos e era quase impossível identificá-las e datá-las com precisão.  Em 1862 o austríaco Ludwig von Köschel (1800-1877), botânico, mineralogista e musicólogo, publicou o seu Índice Temático e Cronológico das Obras de Mozart, trabalho amoroso que o ocupou durante várias décadas. Köchel foi à caça de cada fragmento de partitura de Mozart de que teve notícia, estabeleceu a data das composições por meio de uma série de técnicas detetivescas e atribuiu um número a cada obra. Seu último número, 626, foi para o Réquiem que Mozart deixou inacabado.

Considerando a quantidade de obras ainda não descobertas na sua época e outras erroneamente atribuidas a Mozart, mas já identificadas com precisão, Köchel cometeu relativamente poucos erros. Outros estudiosos em épocas recentes revisaram a sua numeração, porém sua lista original foi tão divulgada e elogiada na época, e está tão perto da exatidão, que poucos se preocupam com essas revisões.

Assim, a letra K (ou K.V., de Köchel Verzeichnis, Catálogo Köchel), acompanhada de um número, após uma obra de Mozart, é uma boa identificação. Indica, por exemplo, que o Concerto para Piano Nº 20 (K. 466) data do mesmo período do chamado Quarteto das Dissonâncias ( K. 465) e da notável Sonata para Piano em Dó Menor ( K. 457) e de pouco antes de As Bodas de Figaro ( K. 496).

Outros compositores beneficiaram-se a exemplo de Köchel: a designação S após uma obra de Bach indica seu lugar no catálogo de Wolfgang von Schmieder, o D no catálogo de Schubert mostra a mão do ilustre Otto Deustsh.  A partir da época de Beethoven, a maioria dos compositores mais considerados tinha fácil acesso à publicação logo que iam completando suas partituras, e eles próprios atribuíam números de Opus (obra) às suas novas composições.

 

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