Se fosse possível engessar a mente

Daphne2

Este é o trecho do corajoso relato da crítica literária, ensaísta e romancista americana Daphne Merkin sobre a doença que a acompanha há 4 décadas:

“A depressão – essa gosma densa e negra do desalento – estava longe de ser uma novidade na minha vida. Desde a infância vinha batalhando contra ela, como se ao sair do ventre me tivessem envolvido num cobertor cinzento e áspero, em vez da manta de algodão macio, em tom pastel. Não acho que tenha sido um bebê triste, a julgar pelas fotos em que apareço com um ar moleque, os olhos brilhantes e sorriso aberto. Ainda assim, quem sabe se já não estava adotando a máscara de bem-estar que todo deprimido aprende a usar para poder navegar pelo mundo?

… sempre me perguntava como me sentiria se fosse uma pessoa com uma visão mais luminosa das coisas. Alguém que possuísse as ilusões necessárias, sem as quais a vida é insuportável. Alguém que conseguisse se levantar pela manhã sem se deixar aprisionar por pensamentos melancólicos: Não adianta, é tarde demais, sempre foi tarde demais. Desista, volte para a cama, não adianta. Tanta coisa a fazer. Nada a fazer. Não adianta.

Era essa sem dúvida a pior parte: não ter como fugir da realidade de ser quem você é, uma pessoa que sempre percebe o limo negro impregnado nos tijolos, os defeitos dos amigos. Como o sangue, a tristeza que corre por baixo da pele das coisas começa como um filete mínimo e termina como uma hemorragia, manchando tudo. “

Daphne Merkin

Leia o texto integral em português ou em inglês

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3 Comentários em “Se fosse possível engessar a mente”

  1. Cadu Says:

    Vi essa matéria en passant, na Caros Amigos, creio, no consultório da analista (há lugar mais adequado?).
    São trevas que conheço bem.
    Espero que esteja bem e feliz, esculápia.

    Bisous

    C.

  2. Cadu Says:

    Perdão, na Piauí, mesmo. Depressivos têm défict de concentração.

    Re-bisous

    C.

  3. Cadu Says:

    É. A memória pode ser uma maldição. Tento conservar as boas, apenas.


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