Aquilo que sei, aquilo que não sei

Não tem jeito, a gente não se acostuma. Hoje me despedi de um amigo que partiu tão rapidamente que as fichas ainda não caíram. Por que ele se foi tão jovem? Por que o socorro médico não chegou a tempo? Por que adiei aquela sopa que sempre prometíamos tomarmos juntos – ele, sua esposa, outros amigos – em uma noite fria? Por que seu filho mais velho ainda estava voltando de viagem quando ele partiu, sem poder comemorar com o pai a vitória do Flamengo no Campeonato Brasileiro?
Não sei.

Hoje, ao nos despedirmos do Osvaldo, lembrávamos dos seus questionamentos, seu raciocínio rápido, da sua mente inquieta. Invariavelmente ele deixava um ou outro de ‘saia-justa’, mesmo em assuntos supostamente dominados pelo seu interlocutor: religião,espiritualidade, política, medicina,direito penal, educação de filhos.

Argumento após argumento, nossas respostas prontas acabavam. Ele passava a mão na franja,esticava as costas para trás e aguardava. Frequentemente eu admitia,”Não sei, Junior”. Então ele sorria, condescendente. Ele sabia mesmo colocar a gente no devido lugar.

E agora, Osvaldo Junior? Hoje você nos deixou, mais uma vez, sem respostas fáceis. No auge dos seus 44 anos você nos desconcertou mais uma vez. Não sabemos sequer o que dizer a nós mesmos, porque a saudade se tornou gigante.

Mas, daquilo que sei, o que vale a pena é que tomar sopa junto com amigos, dar um abraço apertado em um encontro fortuito na calçada, um oi inesperado ao telefone celular, sermos aceitos sem julgamento pelos amigos, orações feitas de emergência, rirmos de nossos próprios cacoetes, professarmos no meio da madrugada que confiamos em Deus, ainda que tateantes, ainda em tempos de vacas magras.

Mas se isso ainda for uma resposta pronta, admito que não sei.

HBP, 09/12/2009

Meus amigos amados Michelly e Osvaldo

Meus amigos amados Michelly e Osvaldo

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One Comment em “Aquilo que sei, aquilo que não sei”

  1. denise Says:

    ♥Helena♥

    O que sei é que nunca devemos deixar passar a oportunidade de afagar alguém, pelos canais que nos for possível, quando o coração o pedir.
    O meu agora pede isso, ainda que não saiba o que dizer para te consolar.

    Lembrei de algo que conheci num cartão das Edições Paulinas, já um bocado de tempo , que diz assim:

    “Ama como possas
    Ama o que possas
    Ama a quem possas
    Mas ama sempre!”

    (não sei dizer quem seja o autor, mas gravei os dizeres)

    Nessa vida devemos sempre amar “externando” isso, ou seja amar para fora, do jetinho que cada um saiba e possa, porque quando nos faltar ‘lógica’ para explicar o sentido do que (se e) nos sucede, nosso consolo será saber que em tudo fomos e deixamos amor esparramado, despetalado, pelo caminho.

    Nando Reis tem uma canção, que não me lembro o título, que diz assim: “Tornar o amor real é expulsá-lo de você. Pra que ele possa ser de alguém …”
    Bacana né?
    Amor não pode ficar contido. Porque assim não deixa de ser amor, mas acaba não justificando para o que veio.
    Por isso falei em ‘amar para fora’. Importa muito o que fazemos com o que sentimos.

    Que o Senhor Deus dê conforto para ti e os familiares do seu amigo querido!

    “Deus é o nosso refúgio e fortaleza, socorro bem presente na angústia. (Sl 46.1,7).

    beijo do e no ♥


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