Ame.Celebre.Sirva.

Foto do filme:’Captain Abu Raed’, 2008

 

 

Os homens amam muitas coisas que as não há no mundo: amam as coisas como as imaginam; e as coisas como as imaginam, havê-las-á na imaginação, mas no mundo não as há.

Padre Antonio Vieira

 

Na maturidade, alguns compram, vendem, investem e constroem patrimônios.Quando cheguei aos 40 anos de idade, no entanto, percebi que algumas das melhores maiores aquisições que pude fazer  ao longo dos anos  foram a crescente capacidade de dizer “-não” – sem nenhuma espécie de culpa – e uma saudável auto- tolerância, incluindo o perdão às minhas próprias imperfeições, inabilidades e erros.

Com isso renovou-se grande senso de humor e compaixão a mim mesma, extensivos a quem estivesse ao lado.Essa tem sido minha a caminhada , ainda que vagarosa, no aprendizado do amor incondicional.

Amor incondicional é assim: ele celebra o que a gente é, independentemente do que se faz ou se deixa de fazer. De alguma forma, então, por ser capaz de celebrar sem cobrar, o amor dá espaço para o vir a ser. Quando se é capaz de festejar a existência presente a gente se liberta dos padrões alheios. Quando se é capaz de honrar cada criatura que passa diante de nós; quando celebramos o instante atual – sem saudosismos passados ou expectativas futuras- o amor nos liberta das aparências, dos achismos e das inseguranças imaginárias.

O tempo me ensinou que é preferível chorar copiosamente diante da tristeza do que a indiferença disfarçada de auto-controle. O tempo ensinou que, diante da impossibilidade de compreender alguém, posso demonstrar aceitação.O tempo ensinou que não existe nenhum investimento humano melhor do que relacionamentos, incluindo sua manutenção e  restauração. O tempo ensinou que o amor e sua celebração nos deixam mais livres para servir com generosidade, sem a preocupação de reconhecimento ou aplausos.O tempo ensinou que ouvir alguém é estar somente de coração aberto, sem se preocupar com a resposta ou solução.

Cada um de nós tem sua vocação, mas nenhum de nós pode deixar de aprender a amar.Outras habilidades como o raciocínio,a inteligência,a força física,o carisma, carreira,a argúcia, a espirituosidade, tudo isso se desfará lentamente para alguns, rapidamente para outros.Os bens serão gastos ou acabarão.

No entanto,como escreveu Clarice Lispector: ” Sempre me restará amar.Ao passo que amar eu posso até até a hora de morrer. Amar não acaba. É como se o mundo estivesse à minha espera…”

É o que tenho dito a mim mesma: ame, celebre, sirva.

Ame, celebre, sirva: é a essência de tudo quanto lhe desejo, e agora,humildemente, compartilho com você.

 

HBP, 12/01/2010

 

 

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2 Comentários em “Ame.Celebre.Sirva.”

  1. mecenas Says:

    Helena, muito bom o seu texto. Realmente a gente aprende muito com o tempo e a vida. Aprende a ser humilde, paciente, compreensivo, mas infelizmente sempre fica um pouquinho de ranço dos arroubos da juventude quando se levava tudo a ferro e fogo.
    Amar, talvez seja uma das unicas coisas que sempre fiz. Amar para sempre e odiar por pouco tempo.
    Fis este poeminha algum tempo atras que bem descreve os dois sentimentos:

    AMOR E ÓDIO

    Procuro na saudade, saber por que razão,
    aberta ficou a porta do meu coração.
    Em lugar do amor que um dia ali morou
    sorrateiro chegou o ódio e lá se alojou.

    Amor e ódio, como companheiros,
    dividem o mesmo espaço, mesma paixão.
    Um com a doçura de um anjo mensageiro,
    outro com a fúria de raivoso furacão.

    Paixão que morre no momento
    que o ciúme, horrivel sentimento,
    traça uma linha tênue
    que divide amores
    rompendo o coração em tantas dores,
    alimentando a fera,
    essa nojenta hiena
    que destrói o amor,
    sem dó, sem pena.

    Palhaços nesse mundo frio, material,
    Amor e Ódio, unidos… um só vilão.
    A zombar de nós em luta desigual
    destruindo o corpo, a alma, e a ilusão.

    Bjos
    mms


  2. Oi Helena. Obrigada por compartilhar textos tão belos. Sempre venho aqui para recarregar as baterias e aprender um pouco mais. Em meio a tantos blogs que só falam de futilidades e afins, o seu é um bálsamo no deserto.
    Grande beijo


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