Todo mundo tem um primeiro namorado, só a bailarina que não tem

Procurando bem
Todo mundo tem pereba
Marca de bexiga ou vacina
E tem piriri, tem lombriga, tem ameba
Só a bailarina que não tem
E não tem coceira
Verruga nem frieira
Nem falta de maneira
Ela não tem

Futucando bem
Todo mundo tem piolho
Ou tem cheiro de creolina
Todo mundo tem um irmão meio zarolho
Só a bailarina que não tem
Nem unha encardida
Nem dente com comida
Nem casca de ferida
Ela não tem

Não livra ninguém
Todo mundo tem remela
Quando acorda às seis da matina
Teve escarlatina
Ou tem febre amarela
Só a bailarina que não tem
Medo de subir, gente
Medo de cair, gente
Medo de vertigem
Quem não tem

Confessando bem
Todo mundo faz pecado
Logo assim que a missa termina
Todo mundo tem um primeiro namorado
Só a bailarina que não tem
Sujo atrás da orelha
Bigode de groselha
Calcinha um pouco velha
Ela não tem

O padre também
Pode até ficar vermelho
Se o vento levanta a batina
Reparando bem, todo mundo tem pentelho
Só a bailarina que não tem
Sala sem mobília
Goteira na vasilha
Problema na família
Quem não tem

Procurando bem
Todo mundo tem…

( Ciranda da Bailarina – Edu Lobo – Chico Buarque)

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3 Comentários em “Todo mundo tem um primeiro namorado, só a bailarina que não tem”

  1. denise Says:

    Helena,

    gosto demais de ouvir Chico Buarque.
    Sempre nos leva além.

    Belo e reflexivo post!

    A Zélia Ducan tem uma canção que diz assim:

    “Alegria do pecado às vezes toma conta de mim
    E é tão bom não ser divina
    Me cobrir de humanidade me fascina
    E me aproxima do céu

    E eu gosto de estar na terra cada vez mais
    Minha boca se abre e espera
    O direito ainda que profano
    Do mundo ser sempre mais humano

    Perfeição demais me agita os instintos
    Quem se diz muito perfeito
    Na certa encontrou um jeito insosso
    Pra não ser de carne e osso, pra não ser carne e osso”

    (gosto de meditar nessa letra, e esse finalzinho acho tremendo!)

    beijo
    denise

  2. denise Says:

    Helena,
    verdade. Verdade!!
    O que me fascina e me deixa atordoada (para o bem) em Jesus, mais do que sua divindade, é sua rica humanidade e é nela que tento e tento me espelhar. E sempre me sinto aquém, por mais que tente.
    Mais isso é bom. Quando mais pequena e miserável me reconheço , mais perto e dependente de Senhor também me sinto. E nessa condição quero para sempre estar.

    Quanto a família Duncan, gosto bem da Zélia, do seu timbre e suas letras. E tive o privilégio de conhecer rapidamente sua irmã Helena , um doce e simplicidade de pessoa numa festinha de 1 ano do filho da minha comadre que trabalha para ela.
    (A Helena foi na casa da sua empregada, bem distante da sua, participar da festa, veja que simplicidade e doçura de Ser.)
    Gostaria de conhecer a Zélia também.
    Santas coincidências, mais uma vez.

    E falando em vc, o prazer e alegria são meus de tê-la guardadinha aqui no meu ♥. E ter essa liberdade de vez em quando te dizer isso e regar o seu lindo jardim com minhas gotinhas de alegria e sementinhas do bem.

    beijo carinhoso
    denise


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