Chickadee e Timilique!

Photos by Elizabeth R.Photo by Elizabeth R.Photos by Elizabeth R.

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Maria Rita Prado Marcondes

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Era uma vez, numa terra distante, um jardim encantado onde viviam incontáveis seres reais em perfeita comunhão com os imaginários, pois afinal de contas , qual é a diferença?

Era o comecinho da estação mais linda do ano – aquela quando a luz muda, o céu se colore de um azul mais profundo, o ar esfria e… maravilha das maravilhas!… as  folhas , lentamente,  mudam de cor! Amarelas, vermelhas, ocres, marrons, em  incontáveis  tonalidades.

De repente, começam a cair, formando um tapete  macio e “crocante”, iluminado pela luz dourada, filtrada  pelas árvores  que se despem.

Numa dessas manhãs radiosas, do meio de toda aquela cor, um “chickadee” apareceu. Parecia muito cansado, com fome e sede e decidido a buscar o que precisava  (eu acho que ele vinha diretamente da Australia, pois seu nome soa aborígene, como  “cockatoo” ou “kookaburra”. Será que são parentes?).

Ao redor, belíssima vegetação, plantas diversas começando a experimentar as novas tonalidades do outono. Vivendo intensamente cada fase, antes de secar e cair! Diante de seus olhinhos, um variado suprimento de comida e água! Batia as asas, cantava, voejava em torno da fonte de seu sustento batendo as patinhas. Que alegria!

Foi então que ouviu um piado fraquinho, desafinado… Recomeçou a procura, desta vez pelo autor da triste canção que tanto o emocionava.  Explorou os quatro cantos – não do mundo desta vez, mas do seu mundinho atual: o belo jardim de uma escrevinhadora, que como ele, a cada dia se reinventava  e transformava, aproveitando a fase que a fada de Vida lhe oferecia. Motivando assim outros a fazer o  mesmo.

Eis que senão quando (como dizia meu avo), percebeu que a vozinha exausta e ferida vinha do  oco da árvore ao lado. Rápido como só os seres alados o são (ou nós humanos se nos lembrarmos que um dia tivemos asas), mergulhou  em direção ao chamado, já levando no bico um pedacinho de alimento  molhado na água do bebedouro. Repetiu a pequena viagem várias vezes, até sentir que o passarinho desconhecido recuperava as forças, abrindo  belos  olhos  verdes.

Lembrou-se então de seu próprio cansaço, fome e sede e cuidou de si, aninhando-se em seguida na nova casa, no oco da árvore.

Daquele dia em diante, a escrevinhadora acordou com um belo canto – “chickadee, chikadee…prrr piu piu…”-, e despediu-se do dia com outro bem diferente – “timilique, timilique…piririque…”!

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Maria Rita é facilitadora titular de Biodanza, e pesquisa outras danças e terapias. Ama livros e conta histórias, com enfase em Contos de fadas com abordagem da Psicologia Profunda de C. G. Jung. Fala ingles, frances e um pouco de italiano. Tem tres filhos e tres netos incríveis.

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